Segunda-feira, 22 de julho de 2019   
 
 
 
 

17 de maio de 2013
Perigo no ar
O importante é não ficar parado e agir. Enquanto a água não ferver
sempre teremos a chance de pular da panela e apagar o fogo.

Por Reinaldo Canto*

Para a maioria da população deve ter passado despercebida a informação de que a nossa atmosfera atingiu uma concentração recorde e inédita de 400 ppms (400 partes por milhão) nos níveis de CO2,o famoso dióxido de carbono. Muita gente pode ter pensado: “então, tá…”

Por não alterar a nossa realidade cotidiana – afinal, não altera o trânsito da cidade, não provoca aumento imediato no preço dos alimentos ou qualquer mudança nos índices de violência. Isso tudo é verdade, mas o que seria uma não notícia é, na realidade, uma das mais importantes novidades dos últimos tempos. Esse nível de concentração de CO2 significa que, segundo as previsões de mais de 2.500 cientistas de todo o mundo, reunidos pela ONU no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC em inglês), nosso planeta acaba de ultrapassar uma linha imaginária perigosa e está caminhando para um alarmante e desconhecido aquecimento.

Se tudo se confirmar, com esse aumento de temperatura, teremos menos terra para plantar alimentos; as águas dos oceanos irão invadir cidades; muitas espécies vão morrer por falta de capacidade para se adaptar a esses novos índices de calor e até mesmo é possível pensar num crescimento da violência, por que não?

Os especialistas do IPCC vão mais longe e classificam essa ultrapassagem dos 400 ppms como um patamar que coloca em risco a própria civilização conforme nós a conhecemos.

Temos reagido a esses fatos ligados às mudanças do clima, tais como a crescente ocorrência dos fenômenos climáticos extremos, quase que com total descrença. Coisas irrelevantes dignas de ambientalistas radicais e desocupados.

O comportamento preponderante assemelha-se ao do sapo na panela. Ao pular numa panela com água fervente, o sapo salta fora dela imediatamente. Ao contrário, quando a água da panela está fria com o sapo dentro e vai aquecendo lentamente, o sapo poderá morrer, pois vai tentando se adaptar até ser consumido pelo calor.

Em relação às ações que deveriam ser tomadas pela humanidade em geral, principalmente nos fóruns internacionais sobre mudanças climáticas, realizados anualmente, o que se vê é um interminável “jogo de empurra”, postergando as urgentes medidas capazes de reverter o quadro, indefinidamente. Digno do comportamento de um sapo feliz e saltitante dentro de uma panela com água prestes a atingir o fatal grau de fervura.

Nessas horas deveríamos nos perguntar e, claro, principalmente as nossas autoridades, o que deveríamos fazer para tentar de alguma forma mudar essa realidade. O desenvolvimento não sustentável que muitas vezes produz o supérfluo destruindo o essencial é um dos grandes responsáveis por esse estado de coisas.

Não será mais possível manter essa lógica de desenvolvimento, uma visão distorcida baseada no acúmulo de bens materiais e na consequente emissão de gases de efeito estufa em proporções inéditas e perigosas.

Mas de nada adiantam reações pouco produtivas, negligentes por um lado ou alarmistas de outro. Melhor é começar um processo de mudanças de comportamento e de valores. Consumir de maneira consciente e apenas o necessário, usar menos o carro que queima combustíveis fósseis, alguns dos principais responsáveis pela emissão de gases que contribuem para o aquecimento global e reduzir o uso de energia e água evitando desperdícios, entre outras ações sustentáveis. Claro que mais importante ainda é pressionar nossas autoridades governamentais e empresariais a adotar atitudes sustentáveis e investir decididamente em atividades ligadas a economia de baixo carbono.

No caso das empresas, além de buscarem reduzir os impactos causados por suas atividades, elas também podem compensar algumas das emissões dos gases de efeito estufa, por meio do plantio de árvores que absorvem carbono durante o seu crescimento.

Uma dica é consultar o trabalho realizado por diversas organizações e empresas que realizam esse trabalho. Uma delas é a ONG Iniciativa Verde que faz restauro florestal com espécimes da Mata Atlântica prioritariamente em áreas de mananciais. (www.iniciativaverde.org.br).

O importante é não ficar parado e agir. Enquanto a água não ferver sempre teremos a chance de pular da panela e apagar o fogo.

 
  Arquivo
12/07/2019
Diálogos Envolverde – Bioeconomia
28/06/2019
Diálogos Envolverde – Bioeconomia
02/05/2019
Municipalistas querem cidades produtivas e antenadas com o século XXI
04/04/2019
Inteligência artificial desperta fascínio e temor no Brasil, diz pesquisa
25/02/2019
São Paulo ainda patina no setor ambiental
21/02/2019
Do flagelo ao empreendedorismo: Encontro Nacional revela um semiárido brasileiro repleto de projetos inovadores
14/01/2018
No meio ambiente, a leve sensação de uma volta ao passado
12/12/2018
COP 24: Estamos trocando a realidade pela ficção
23/11/2018
A tragédia de Mariana em aberto
26/10/2018
O sol que castiga o sertão é realidade como fonte de energia na Paraíba
19/07/2018
Nossa vida não é feita de plástico: recuse canudos
16/07/2018
Gente que faz a sustentabilidade no dia a dia
12/06/2018
FICA 2018: Sons únicos do Passado e sua melancólica extinção
06/06/2018
Renováveis sim, Alternativos não!
18/05/2018
Novo milênio derruba alguns dos valores do século 20
17/04/2018
O assédio na América Latina e a reação das brasileiras
16/04/2018
Coordenadora do Limpa Brasil fala do problema gerado pelo lixo
13/04/2018
Biocicla mostra como ir do lixo ao luxo da transformação
22/03/2018
Rio Doce, um desastre anunciado e inovação na recuperação
08/03/2018
O mundo encantado dos youtubers
08/02/2018
Sinergias entre cidades e empresas apontam caminhos para o futuro
04/01/2018
Um ano realmente novo ou seguiremos na mesma batida da irracionalidade?
27/11/2017
Ação empresas contra o desmatamento é fator de proteção ao lucro
 

2011 ~ 2018 - EcoCanto21
Reinaldo Canto
Todos os direitos reservados - www.ecocanto21.com.br
32 usuários online

Desenvovido por Tecnologia