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12 de julho de 2014
A derrota da Seleção e as muitas vitórias do Brasil
Apesar dos pesares a Copa do Mundo apresenta um saldo positivo na imagem do país.
 

Por Reinaldo Canto*

Assim como boa parte dos brasileiros, ainda estou tentando digerir a acachapante derrota da Seleção Brasileira para a Alemanha. Por essa razão e até mesmo para exorcizar esse mal estar coletivo decidi fazer uma breve reflexão sobre o que vivemos nesses dias e os chamados legados da Copa realizada em nossa terra.

É fato que ficamos devendo no quesito obras que efetivamente vão fazer a diferença no pós- evento. Poucas delas foram entregues, principalmente relacionadas à mobilidade urbana. Isso para não falar da quase não entrega de estádios, aeroportos em reforma durante os jogos e as absurdas remoções de famílias de maneira truculenta e nada democráticas.

Por outro lado também é fato que o caos anunciado pelos arautos do pessimismo esteve muito longe de se tornar realidade. Basta ver a alegria nos estádios e nas festas de torcedores realizadas nas cidades-sede. Turistas estrangeiros consultados por diversas pesquisas responderam estar satisfeitos com sua estadia em nosso país e demonstraram intenção de voltar a visitar o país. Levantamento da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas registrou um grau de 80% de aprovação dos estrangeiros com a Copa do Mundo. Já uma pesquisa feita Secretaria de Desenvolvimento, Turismo e Cultura da Bahia constatou que 94% dos estrangeiros entrevistados pretendem voltar a Salvador. Isso para ficarmos em dois exemplos.

Segundo levantamento prévio do Ministério do Turismo, o total de visitantes de outros países já superou o número de 600 mil pessoas (bom lembrar que na última Copa na África do Sul, foram registrados 310 mil visitantes estrangeiros). Pela pequena proporcionalidade de casos policiais registrados até agora, tem prevalecido mais a boa acolhida do povo brasileiro, do que a criminalidade crescente que nós nativos estamos mais expostos em nosso cotidiano.

Legados intangíveis e a geração de lixo

E por falar em cordialidade e simpatia, são esses legados de troca de experiências e conhecimento que contribuem decisivamente para reduzir a intolerância, o preconceito e o xenofobismo. Nada melhor do que conhecer o outro, antes distante e ameaçador, para perceber que somos todos da mesma espécie humana e que um belo sorriso aproxima e nos torna iguais, mesmo na diversidade.

Agora toda essa festa também tem seu lado pouco edificante. O quesito geração de lixo está nessa categoria. A sujeira resultante nos locais das chamadas fan fests e em outros pontos com concentração de torcedores, resultaram em lixos espalhados pelas ruas. Um triste espetáculo a unir patrícios e estrangeiros.

O pior é que o volume de lixo durante a Copa do Mundo aumentou em mais 14 mil e quinhentas toneladas por dia nas 12 cidades-sede, segundo dados levantados pela Abrelpe - Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais.

Um volume especialmente impactante em cidades menores que não estão preparadas para esse excedente de lixo sendo descartado. Os piores exemplos estão com as capitais Cuiabá, no Mato Grosso e Natal no Rio Grande do Norte. Em dias normais Cuiabá produz em torno de 500 toneladas de resíduos, só a Copa aumentou em mais 1.150 toneladas, ou seja, mais de duas vezes o que o cuiabano está acostumado a descartar. Em Natal, em média, são geradas por dia mais de 770 toneladas de resíduos. Apenas o total da Copa é responsável por mais 915 toneladas diárias, na capital Potiguar.

Bem, Argentina e Alemanha decidem no domingo quem vai levar o título da competição, mas também podemos afirmar que tivemos outros tipos de campeões e vencedores nesse que é considerado o maior evento esportivo do planeta.

Apesar de sua equipe não ter passado da fase de grupos, quem deu aula de civilidade e uma goleada fenomenal na falta de educação foi à torcida japonesa ao recolher os resíduos gerados nos estádios após as partidas. Uma bela imagem que ficará registrada para uma importante reflexão pós-Copa.

 
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