Terça-feira, 12 de dezembro de 2017   
 
 
 
 

16 de fevereiro de 2016
Um planeta mais quente e desigual
Estudos da Nasa e da Oxfam revelam que 2015 foi o ano mais quente
e com a maior desigualdade já registrada

Manifestantes realizam a Marcha Global pelo Clima no Rio chamando a atenção para a
gravidade das mudanças climáticas. (Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil / Fotos Públicas)

por Reinaldo Canto

Dois estudos divulgados recentemente apresentam pontos aparentemente paralelos, mas que possuem uma terrível e nefasta convergência: 2015 foi o ano mais quente e, ao mesmo tempo, o mais desigual da história.

A constatação de que o ano passado foi o mais quente já registrado desde 1880, quando os dados começaram a ser levantados, foi feita pela agência espacial norte-americana, a Nasa, e pela Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

As duas entidades realizaram estudos separados, mas chegaram às mesmas conclusões: a temperatura do planeta ficou, em média, 0,90ºC acima da registrada no século XX e 0,16ºC acima do recorde anterior, registrado em 2014. Dezembro passado também foi o mês mais quente já observado.

Os cientistas apontam o fenômeno climático El Niño pelos resultados, mas, principalmente, o atribuem ao aquecimento causado pelas emissões de gases relacionados à ação do homem.

As consequências estão aí: aumento do nível dos oceanos e ocorrências cada vez mais frequentes de fenômenos climáticos extremos, como a onda de calor que matou 2,5 mil pessoas na Índia, também no ano passado.


O recorde de 2015 acompanha a tendência de aquecimento observada nos últimos anos, diz a Nasa

O outro ponto é o levantamento anual da ONG britânica Oxfam sobre desigualdade e concentração de renda. A organização afirma que, neste ano de 2016, as 37 milhões de pessoas que compõem o 1% mais rico da população mundial terão mais dinheiro do que os outros 99% juntos.

O relatório apresentado pela Oxfam toma como base o levantamento anual do banco Credit Suisse. E as estatísticas demonstram que ao longo dos últimos anos a concentração e a desigualdade só aumentaram!

São muitas as questões que nos afligem: a crise econômica brasileira, a questão dos refugiados na Europa, o mosquito Aedes aegypti, os fanáticos do Estado Islâmico – todas altamente relevantes e merecedoras de nossa atenção.

Mas fato é que os dois estudos apontados neste artigo possuem o poder de determinar os caminhos da humanidade para um futuro em que as demais questões serão decorrência desses dois fatores, ou seja, o crescimento da desigualdade e mudanças climáticas cada vez mais fortes e persistentes.

Winnie Byanyima, diretora-executiva da Oxfam e co-presidente do Fórum Econômico Mundial alertou sobre as consequências desses desequilíbrios: "Tanto nos países ricos quanto nos pobres, essa desigualdade alimenta o conflito, corroendo as democracias e prejudicando o próprio crescimento".

Isto é, quanto mais a temperatura e a desigualdade crescerem, menos possíveis serão os esforços para o equilíbrio e a harmonia do planeta e de seus habitantes. Tal acirramento se transformará em mais refugiados, em mais doenças e levará à eclosão de novas guerras e conflitos.

No entanto, a Nasa, a NOAA e a Oxfam consideram essas questões ainda possíveis de serem enfrentadas ou revertidas. Alguns dos caminhos relacionados ao clima foram exaustivamente debatidos na COP 21, realizada em Paris, em dezembro passado.

Já para enfrentar a concentração de renda, o caminho é a busca pela ampliação dos direitos das pessoas e por mais democracia e participação, buscando a educação e o empoderamento dos cidadãos como meta universal, entre outros grandes desafios.

A sustentabilidade, tão almejada, só será efetivamente alcançada quando a humanidade conseguir entender e combater todos esses desequilíbrios ambientais e sociais. Será preciso reverter essas nefastas tendências que colocam em xeque a nossa civilização e flertam fortemente com um indesejado cenário de fim do mundo.

 
  Arquivo
27/11/2017
Ação empresas contra o desmatamento é fator de proteção ao lucro
23/11/2017
Longevidade das empresas depende da transição à economia de baixo carbono
13/11/2017
Apesar dos pesares, energia limpa é um caminho sem volta
14/10/2017
O que Michel Temer e Donald Trump pensam sobre o meio ambiente?
03/07/2017
O que falta para o Brasil ser a maior potência em energia solar?
16/06/2017
Código Florestal completa cinco anos longe de atingir objetivos
13/06/2017
Energias renováveis avançam com novas opções
16/05/2017
Governo Temer quer destruir as conquistas ambientais
07/04/2017
Um legado verde para o cerrado goiano
13/03/2017
Febre amarela: a crueldade e a ignorância andam juntas
30/01/2017
Trump, na contramão do mundo
11/01/2017
Comunidade da Rocinha revê relação com resíduos
02/12/2016
A destruição da Amazônia prossegue
28/10/2016
Os riscos da poluição e do aquecimento global para a saúde
14/09/2016
Vamos falar mais sobre o aquecimento global?
05/07/2016
São Paulo está sem lei florestal
28/06/2016
Pesquisa revela dano à imagem da Samarco
15/04/2016
Titica de galinha: o combustível improvável
04/04/2016
Publicidade infantil: o começo do fim
29/03/2016
Sacola plástica: as pessoas só valorizam o que custa dinheiro
24/03/2016
Queda nas sacolas plásticas em SP não reduziu conforto do paulistano
16/03/2016
A crise hídrica acabou, Alckmin?
01/03/2016
Cidades na linha de frente no combate às mudanças climáticas
16/02/2016
Um planeta mais quente e desigual
25/11/2015
Terrorismo no caminho da COP21
16/11/2015
Mariana: essa não é uma tragédia ambiental
19/10/2015
Meio ambiente: Ações tardias e termômetros em alta
08/09/2015
No ritmo atual uma montanha de lixo irá nos soterrar
12/08/2015
Plásticos e bicicletas na construção do processo civilizatório
 

2011 ~ 2017 - EcoCanto21
Reinaldo Canto
Todos os direitos reservados - www.ecocanto21.com.br
11 usuários online

Desenvovido por Tecnologia