Quinta-feira, 21 de setembro de 2017   
 
 
 
 

13 de março de 2017

Febre amarela: a crueldade e a ignorância andam juntas

O recente surto da doença desencadeou o irracional e estúpido assassinato de
macacos que não tem nenhuma responsabilidade

Tiago Falótico

Há uma irracional caçada e assassinato de primatas, com várias espécies na lista de animais em extinção
 

Por Reinaldo Canto

Se já não bastassem as corriqueiras barbaridades cometidas contra o Meio Ambiente, especialmente na nossa já tão debilitada Mata Atlântica, ainda somos obrigados a assistir a essa irracional caçada e assassinato de primatas, sendo que várias dessas espécies já se encontram na lista de animais em processo de extinção, tais como, Bugio, o Macaco-prego-de-crista, além do Muriqui do sul e do norte.

A situação ficou tão grave pelos diversos casos registrados nos estados de São Paulo e Minas Gerais que levou o Ministério do Meio Ambiente a emitir um alerta à sociedade sobre a gravidade desses atos de violência. Além de informar que os agressores estão cometendo um crime passível de detenção, a nota do ministério esclarece que os macacos não são responsáveis pela transmissão da febre amarela aos humanos.

Em recente declaração, o diretor de Conservação e Manejo de Espécies do MMA, Ugo Vercílio alertou: “É importante que a população tenha plena consciência de que os macacos não são responsáveis pela existência do vírus e nem por sua transmissão a humanos. Eles precisam ser protegidos”.

Os macacos muitas vezes são os primeiros a serem infectados e as primeiras vítimas, contribuindo até mesmo para deixar populações em alerta. “Os primatas agem como verdadeiros anjos da guarda dos seres humanos, pois quando ocorre a morte desses animais em escala anormal, como vem ocorrendo em determinadas regiões da Mata Atlântica, isso é um indicativo da presença do vírus”, ressaltou Danilo Simonni Teixeira, presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia.

Sem computar as brutalidades humanas, o Ministério da Saúde já registrou 968 mortes de primatas com suspeita de febre amarela, desde dezembro de 2016. Desses 386 já foram confirmadas como sido causadas pela doença.

A RESPONSABILIDADE DA TRAGÉDIA DA SAMARCO

Tão grave quanto responsabilizar animais indefesos pela febre amarela em humanos é a forte suspeita de que a doença tenha surgido em cidades mineiras próximas ao Rio Doce e que foram afetadas pelo rompimento da barragem da Samarco, em Mariana. Só em Minas Gerais o surto atingiu 152 cidades e mais de 100 mortes de pessoas já foram confirmadas sendo que outros casos permanecem em análise.

O desmatamento provocado pela tragédia e o forte impacto na saúde dos animais dessas localidades podem ter desencadeado o surgimento da doença. Essa suspeita foi levantada pela bióloga Márcia Chame, coordenadora dos estudos de Biodiversidade e Saúde Silvestre na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo. Segundo ela, "Com o estresse de desastres, com a falta de alimentos, eles se tornam mais suscetíveis a doenças, incluindo a febre amarela".

Este episódio revela mais uma vez como a ignorância acompanhada muitas vezes de suas irmãs siamesas, a irresponsabilidade e a ganância vitimam com frequência alarmante o nosso meio ambiente.

Os primatas que habitam as nossas já escassas florestas de Mata Atlântica cumprem um papel fundamental para a preservação da biodiversidade e, portanto, merecem todo o nosso respeito.

Mata-los de maneira estúpida e sem sentido, nos tornam menos humanos e nossa existência neste planeta ainda mais pobre.

LEGISLAÇÃO E DENÚNCIA

A legislação ambiental é clara: matar ou maltratar animais é crime, cuja pena pode chegar a um ano de detenção, além da aplicação de multa. De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a população deve denunciar casos de violência contra animais da fauna brasileira pelo serviço Linha Verde.

Fone: 0800-61-8080
E-mail: linhaverde.sede@ibama.gov.br

Fone 136: informar às autoridades em saúde a ocorrência de animais mortos ou com suspeita da doença.


  Arquivo
03/07/2017
O que falta para o Brasil ser a maior potência em energia solar?
16/06/2017
Código Florestal completa cinco anos longe de atingir objetivos
13/06/2017
Energias renováveis avançam com novas opções
16/05/2017
Governo Temer quer destruir as conquistas ambientais
07/04/2017
Um legado verde para o cerrado goiano
13/03/2017
Febre amarela: a crueldade e a ignorância andam juntas
30/01/2017
Trump, na contramão do mundo
11/01/2017
Comunidade da Rocinha revê relação com resíduos
02/12/2016
A destruição da Amazônia prossegue
28/10/2016
Os riscos da poluição e do aquecimento global para a saúde
14/09/2016
Vamos falar mais sobre o aquecimento global?
05/07/2016
São Paulo está sem lei florestal
28/06/2016
Pesquisa revela dano à imagem da Samarco
15/04/2016
Titica de galinha: o combustível improvável
04/04/2016
Publicidade infantil: o começo do fim
29/03/2016
Sacola plástica: as pessoas só valorizam o que custa dinheiro
24/03/2016
Queda nas sacolas plásticas em SP não reduziu conforto do paulistano
16/03/2016
A crise hídrica acabou, Alckmin?
01/03/2016
Cidades na linha de frente no combate às mudanças climáticas
16/02/2016
Um planeta mais quente e desigual
25/11/2015
Terrorismo no caminho da COP21
16/11/2015
Mariana: essa não é uma tragédia ambiental
19/10/2015
Meio ambiente: Ações tardias e termômetros em alta
08/09/2015
No ritmo atual uma montanha de lixo irá nos soterrar
12/08/2015
Plásticos e bicicletas na construção do processo civilizatório
13/07/2015
Política Nacional do Eterno Adiamento
23/06/2015
O clima definitivamente entrou na pauta global
18/05/2015
O futuro das florestas brasileiras ainda é uma incógnita
14/04/2015
Sacolas plásticas e o limite das falsas comodidades
22/03/2015
Apesar das constantes negações todo dia é Dia da Água
11/03/2015
Tempo estranhos requerem equilíbrio e bom senso
 

2011 ~ 2017 - EcoCanto21
Reinaldo Canto
Todos os direitos reservados - www.ecocanto21.com.br
8 usuários online

Desenvovido por Tecnologia