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25 de outubro de 2013
Empresários de reciclagem e de alimentação
dizem que dependem da atuação das prefeituras
Otser (RS), Plasacre (AC) e Sorveteria Gela Boca(PR) participaram do painel Sustentabilidade
Empresarial com Foco em Boas Práticas, na noite de sábado (21), na Feira do Empreendedor RR
 

Vanessa Brito

Boa Vista – Para atuar no ramo de reciclagem de resíduos sólidos é fundamental estar articulado principalmente com as prefeituras, responsáveis pela coleta e fiscalização dos resíduos urbanos. A atuação da administração municipal também é importante para empresas que possuem boas praticas sustentáveis e pode definir condições de crescimento dos empreendimentos do segmento de alimentação. Pequenas empresas podem se tornar vulneráveis, se o poder público local não for ágil na criação de condições para que prosperem.

É preciso fazer campanhas educativas e distribuir informação a respeito dos benefícios da separação dos resíduos e descarte correto, para que a reciclagem entre na pauta nacional. Simples ações que começam dentro de casa e nas empresas podem ajudar muito na gestão de resíduos de uma cidade. Sustentabilidade nem sempre significa investimentos, mas mudança de hábitos, que geram economia. Cooperativas de catadores precisam de apoio para atuarem com eficiência na coleta seletiva. Estas são algumas conclusões do painel Sustentabilidade Empresarial com Foco em Boas Práticas, realizado na noite de sábado (21), na Feira do Empreendedor RR.

Três empresas convidadas pelo Centro Sebrae de Sustentabilidade e Sebrae RR compartilharam suas experiências e desafios com 31 pessoas, que assistiram o painel. Foram elas: Otser Gestão de Resíduos Eletrônicos (RS); Plasacre (indústria de plásticos reciclados do Acre); e a Sorveteria Gela Boca (PR). O debate foi mediado pelo jornalista paulista Reinaldo Canto, que também é professor universitário de gestão sustentável e comentarista da Rede Vida e Carta Capital.

A Otser está no mercado desde 2008 e foi a pioneira no Rio Grande do Sul no ramo de gestão de resíduos eletrônicos. Marcos Palma, seu diretor, falou que o empreendimento surgiu da necessidade e dificudade em descartar computadores e impressoras em desuso. Pesquisou em São Paulo, onde havia empresa no segmento, e abriu a Otser (que significa ‘resto’ de trás pra frente).

No inicio, Marcos contou que tinha de sensibilizar pessoas e empresas quanto à necessidade de descartarem corretamente seus resíduos eletrônicos . Teve de se articular com a prefeitura de Novo Hamburgo, onde se encontrava a empresa, para viabilizar o negócio. Hoje, a Otser está no município de Campo Bom. "Trata-se de uma mudança cultural para cidadãos e empresas", resume ele.

A Otser comecou recebendo 300 k/ mês e, hoje, recebe entre 25 a 30 ton/ mês. "Os resíduos eletrônicos ainda estão muito espalhados. Falta informação a respeito do assunto" , diz ele. Atualmente são descartados 50 milhoes de ton/ ano no mundo, e apenas 10% são reciclados, informa. Noventa por cento ainda estão nas residências e empresas, acrescenta Marcos. A Otser retira ferro, plástico, alumínio e outros metais dos equipamentos eletrônicos e os repassam para empresas que reaproveitam os materiais.

Já a Plasacre se instalou em Rio Branco a convite do governo acreano, há quatro anos. Não havia empresas recicladoras de plástico no estado. Parceria com a prefeitura da capital viabilizou a coleta seletiva e a separação do plástico dos resíduos coletados na cidade. A empresa auxilia na logística da coleta e capacita a cooperativa de catadores, além de ter aumentado o valor pago a eles pelos resíduos.

A partir do plástico coletado nas ruas de Rio Branco, a Plasacre produz telhas coloridas de plástico reciclado, que foram desenvolvidas pelo Instituto de Pesquisas Tecnologicas de São Paulo (IPT). Elas são certificadas pelo Inmetro, Falcon Bower e IPT. A empresa também fabrica mangueiras, caixas de água, etc, de plástico original.

Camila Consolo, gestora ambiental da empresa, diz que o negócio da Plasacre depende da articulação com o poder local e da capacitação dos catadores. A empresa tem capacidade para processar e produzir 700 mil k/ mês. Atualmente apenas 280 mil k/ mês de plásticos chegam à Plasacre. Cinco por cento da coleta são realizados pela cooperativa de catadores de Rio Branco. Há muito material que ainda é descartado incorretamente na cidade, diz ela. "A reciclagem começa em casa", enfatiza Camila.

A Plasacre desenvolve ações de educação ambiental em Rio Branco, visando a mudança de hábitos, por meio de palestras e recepção de estudantes na fábrica. A captação de resíduos continua sendo um grande desafio. Sem a fiscalização eficiente da prefeitura, eles continuarão sendo descartados no meio ambiente, segundo ela.

Sorvetes

A Sorveteria Gela Boca é um negócio familiar com sede em Maringá, mas que está prestes a se mudar para o município de Astorga, a 60 km. O empreendimento passou a investir em boas práticas sustentáveis ao participar do Programa Sebrae de Gestao da Qualidade, em 2010." Observando a questão da qualidade, passamos para a equipe a vontade de trabalhar nossos resíduos", conta Thiago Ramalho, um dos diretores e filho do fundador da empresa.

Tudo começou com o envolvimento dos funcionários. Eles tiveram um dia de folga para separar roupas em desuso, que depois foram doadas a um albergue da cidade. Todos se engajaram, segundo Thiago. A partir dessa ação, novas atitudes foram deflagradas na rotina da pequena indústria de sorvetes, que hoje é uma franquia bem sucedida.

A principal meta era reduzir 4% da perda de papel na operação de embalagem dos produtos. Esses 4% equivaliam a 400 k/ ano, que gerariam economia de R$ 10 mil /ano ou 400 mil sorvetes, informa o empresário. Monitoramento por meio de indicadores ajudou a acompanhar o atingimento da meta.

"Ao invés da sustentabilidade gerar investimentos, gerou economia. A redução e não geração de resíduos significam sustentabilidade", ressalta o empresário. Outro resultado destacado por ele foi a melhoria da imagem da empresa. " O mercado e os consumidores percebem e aprovam empresas com boas práticas sustentáveis", afirma.

A Sorveteria Gela Boca está se mudando para Astorga devido à falta de apoio da prefeitura. A dificuldade na coleta dos rejeitos de sorvetes pela administração municipal e pela cooperativa local de catadores geraram a decisão de procurar outro município, que oferecesse melhores condições para o empreendimento. "Uma pequena empresa não pode esperar a próxima gestão municipal para resolver os problemas", argumenta Thiago.

* Reinaldo Canto, Assessoria de Imprensa Iniciativa Verde

 
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