Quarta-feira, 25 de abril de 2018   
 
 
 
 

23 de março de 2018

ONU aponta que soluções para a gestão
da água estão na natureza

Durante o Fórum Mundial da Água Nações Unidas divulgam o
Relatório sobre situação dos Recursos Hídricos no planeta
 

Os problemas da escassez de água no mundo podem e devem contar com a natureza para resolve-los. Essa é a conclusão do Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2018 divulgado nesta tarde de segunda, 19/03, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

O documento afirma que a crescente demanda mundial por água, seja por aumento populacional, seja pelo desenvolvimento econômico ou mudanças no padrão de consumo exigem ações urgentes, principalmente no que se refere à recuperação e preservação dos ecossistemas.

Muitos países já tem enfrentado situações críticas de escassez hídrica e o problema tende a se intensificar. Atualmente a demanda mundial está em torno de 4.600 km cúbicos por ano e a ONU calcula que esse consumo irá aumentar de 20% a 30%, atingindo um volume entre 5.500 e 6 mil quilômetros cúbicos até 2050. Na produção agrícola e energética (alimentos e eletricidade majoritariamente) o crescimento deverá ser ainda maior entre 60% e 80%, respectivamente, já em 2025.

O consumo doméstico é estimado em aproximadamente 10% do total explorado na captação de água do mundo e deve aumentar significativamente no período 2010-2050. Para se ter ideia do tamanho do problema, na década de 2010, 1,9 bilhão de pessoas (ou 27% da população mundial) viviam em áreas com grande potencial de escassez. Se forem consideradas as variações mensais, esse número atinge 3,6 bilhões de pessoas em que ao menos em um mês do ano enfrenta o problema da falta de água.

E as ameaças são crescentes, segundo o relatório das Nações Unidas, desde a década de 1990, a poluição hídrica piorou dramaticamente em quase todos os rios da África, Ásia e América Latina, comprometendo todos os níveis de análise da saúde humana ao desenvolvimento sustentável. A estimativa apontada pelo estudo da ONU é de que 80% de águas utilizadas em processos industriais são despejadas no meio ambiente sem tratamento.

O que é mais importante no relatório é o caminho a ser enfrentado para esses e outros problemas relativos ao insumo básico da vida no planeta, a própria natureza. Simples assim!

Para termos água limpa e de boa qualidade precisamos incrementar as iniciativas na gestão dos recursos naturais, ou seja, florestas, solo, mangues, pântanos, rios e lagos. Tanto no que se refere à preservação quanto a recuperação ambiental.

Para coordenador e diretor do Programa Mundial de Avaliação dos Recursos Hídricos (WWAP, na sigla em inglês) da UNESCO, Stefan Uhlenbrook, “os ecossistemas precisam estar bem para serem eficazes e fazer frente ao aumento na demanda por água”.

“Existem soluções naturais como a conservação de florestas e para isso é importante uma aliança de consumidores, comunidades, setor privado e público para trabalhar a conservação da água”, explica Grethel Aguilar, diretora regional da IUCN para América Central e Caribe (International Union for the Conservation of Nature, em inglês). Afirmação que vai ao encontro da proposta do próprio fórum, ou seja, “compartilhando água”.

Virigílio Viana, superintendente geral da FAS – Fundação Amazonas Sustentável – “o relatório apresenta a gravidade do problema entre os crescentes consumos e a importância dos ecossistemas como fonte de água, como o prestado pelos rios voadores”. Para Virgílio, o mais importante desse relatório foi apontar a “magnitude e a urgência de ação como no caso do saneamento no Brasil”.

Para organizações que trabalham com recuperação e conservação ambiental, os resultados do relatório soam como música. Roberto Resende, presidente da Iniciativa Verde, que trabalha com recomposição florestal , “temos trabalhado nessa direção, de que a recuperação e a conservação da vegetação junto com o bom manejo do solo ajudam a preservar a qualidade da água, a manutenção de sua oferta e a diminuição dos eventos extremos com secas e cheias. Entendemos que a recuperação das matas ciliares, a promoção dos sistemas agroflorestais e saneamento com tecnologias sociais são algumas contribuições nesse sentido”.

Soluções óbvias para problemas complexos. De certa maneira a natureza sempre apontou e tem apontado os caminhos melhores a serem trilhados. A falta de visão humana tem impedido essa constatação ululante.

 
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