Quinta-feira, 21 de setembro de 2017   
 
 
 
 

 
Ações simples podem se transformar em
boas práticas sustentáveis nas empresas
Quarenta e sete pessoas participaram do debate Sustentabilidade nos Pequenos Negócios na
Feira do Empreendedor MA; lições aprendidas por empresários foram compartilhadas com o público
08 de novembro de 2013

Vanessa Brito

Imperatriz (MA) – O painel Sustentabilidade nos Pequenos Negócios, promovido pelo Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS) e Sebrae MA na Feira do Empreendedor MA, na sexta-feira (8), foi concorrido. Quarenta e sete pessoas, entre empresários , estudantes e universitários, participaram da atividade e assistiram atentamente as apresentações dos empresários: Claudio Lasso, da KL Tecnologia de Santa Rita de Sapucaí (MG), responsável pelo acessório de chuveiro Ecoshower; Thiago Ramalho, da Sorveteria Gela Boca de Maringá (PR); e Fabrisio Rossini da Churrascaria Barriga Verde de São Luis (MA).

Depois das apresentações, o público fez várias perguntas e questionou aspectos da sustentabilidade nos empreendimentos. O debate foi animado. O jornalista paulista Reinaldo Canto, especializado em sustentabilidade, comentarista sobre o tema da Rede Vida de Televisão, colunista da revista Carta Capital, entre outros, foi o moderador do painel.

Ficou evidente que simples ações e iniciativas podem colocar os pequenos negócios na trilha da sustentabilidade, gerando economia de recursos naturais e financeiros. Trata-se muito mais de mudança cultural e de valores do que de investimentos para se tornar uma empresa sustentável.Não há uma receita e cada empreendimento descobre seus métodos para se tornar mais sustentável. Segundo os três empresários, vale a pena pensar e agir de modo diferente, visando garantir um futuro melhor para o planeta, as pessoas e os negócios.

Energia e água

Claudio Lasso contou que a preocupação com o alto consumo de energia e água o levou a criar o Ecoshower, um equipamento que propicia o controle e redução do uso de água e energia nos banhos. Estudos da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) comprovaram que o aparelho economiza mais de 40% de energia dos chuveiros elétricos.

Laudos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo apontam que o Ecoshower gera economia de 12% do consumo de água. O equipamento é um típico caso de sucesso, que ilustra o quanto o tema sustentabilidade pode também significar oportunidade para produtos e negócios inovadores.

A Sorveteria Gela Boca está no mercado há 12 anos e é uma empresa familiar. Nos últimos três anos, se tornou participante do Programa Sebrae de Gestão de Qualidade (PSGQ). A preocupação com o desperdício e o foco na qualidade acarretaram na implantação de boas práticas sustentáveis. Tudo começou com um dia de folga para os 30 funcionários, que ficaram em casa separando roupas em desuso para serem levadas à empresa. No dia seguinte, o material foi doado a um albergue de Maringá. Esta iniciativa mostrou à equipe a necessidade de reduzir resíduos e o significado do conceito responsabilidade social, segundo Thiago Ramalho.

“Com esta ação simples começamos a implantar sustentabilidade na Gela Boca”, diz ele. Novas atitudes passaram a surgir daí, como, por exemplo, desenvolver indicadores no empreendimento, que apontaram que havia desperdício de embalagens de picolé em 8%. A meta de diminuir o desperdício foi assumida pelos operadores das máquinas de embalagem e, em poucos meses, o indicador caiu para 4%. Depois, veio a redução de consumo de energia, água, etc

“Sustentabilidade é questão cultural, são atitudes que geram benefícios e resultados para a empresa”, define Thiago. A Sorveteria Gela Boca se transformou em franquia e conta atualmente com 25 lojas. A matriz está se mudando para nova sede, onde haverá cisterna, lagoa de tratamento, captação de água de chuva, energia solar, entre outros.

Simplicidade

“O que uma churrascaria tem a ver com sustentabilidade?”, provocou Fabrísio, dono da Churrascaria Barriga Verde de São Luis. A quantidade de resíduos e o consumo de energia o incomodavam, disse ele, e foi a partir desses dois aspectos que as boas práticas começaram a ser implantadas. “ Foram ações simples, que nos colocaram no caminho da sustentabilidade”, diz o empresário.

Fabrisio conta que substituiu algumas telhas de barro por transparentes e, assim, melhorou a iluminação e reduziu o consumo de energia. Os sacos de lixo que abrigavam 320 latas vazias/cada passaram a caber 1.020 latas, depois de amassadas. Hoje, cinco sacos de lixo são suficientes para guardar as latas de um mês inteiro, que depois são vendidas por R$ 0,25/quilo.

Os sacos de ráfia que carregam o carvão vegetal de florestas plantadas de eucalipto (faz questão de dizer), que antes eram queimados, passaram a ser separados e também vendidos. O mesmo é feito em relação às caixas de papelão. Elas são separadas e amarradas com barbante e, quando atingem um bom volume, também são vendidas.

O óleo usado de cozinha se transforma em sabão ou é trocado por produtos de limpeza. Os resíduos orgânicos são misturados às cinzas das churrasqueiras para se tornarem adubo da horta de temperos verdes e pimentas, instalada no fundo do empreendimento, que depois são usados na cozinha. A redução do consumo de água foi conseguida com mais organização. Menos sujeira significa gastar menos água, segundo ele.

O valor arrecadado com os materiais vendidos para recicladores é aplicado na festa de Natal dos funcionários. O mais importante é não desistir e continuar fazendo o que é possível para tornar o negócio mais econômico e sustentável, segundo o empresário. “A conscientização dos funcionários é o primeiro passo, depois vem a dos clientes”, afirma. Com o tempo, se torna hábito e todo mundo sai ganhando: a empresa, o meio ambiente e as pessoas. “Os clientes acabam vendo que a gente está pensando no futuro das outras pessoas”, argumenta. “Isto é bom para o planeta, para os negócios e para todo mundo”, conclui.

 
 

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